Fístula Anal
Fístula anal é um trajeto anormal entre o canal anal e a pele da região perianal. Surge, na maioria dos casos, como sequela de um abscesso anal — e raramente cicatriza sem tratamento cirúrgico. O tratamento exige planejamento cuidadoso: o equilíbrio entre cicatrização e preservação da continência fecal é o ponto central.
O que é a fístula anal
A grande maioria das fístulas anais começa como um abscesso — uma infecção das glândulas que existem dentro do canal anal. Quando o abscesso drena espontaneamente ou é drenado cirurgicamente, em cerca de metade dos casos forma-se um trajeto permanente entre o local original da infecção e a pele perianal. Esse trajeto é a fístula.
Outras causas, menos frequentes, incluem doença de Crohn, tuberculose, radioterapia pélvica e trauma. A investigação da causa faz parte da avaliação, especialmente em casos atípicos.
Sintomas característicos
- Saída de secreção purulenta por orifício na pele perianal
- Dor local, com piora em períodos de obstrução do trajeto
- Episódios recorrentes de abscesso no mesmo local
- Coceira e irritação ao redor do orifício
- Eventual saída de gases pelo orifício externo
- Sangramento ocasional
Causas e fatores associados
- Abscesso anorretal prévio (causa mais comum)
- Doença de Crohn
- Tuberculose
- Radioterapia pélvica prévia
- Trauma perianal
- Algumas neoplasias do canal anal
Técnicas cirúrgicas
A escolha depende da classificação anatômica (Parks), do histórico de cirurgias prévias e da função esfincteriana basal.
Fistulotomia
Abertura do trajeto com cicatrização por segunda intenção. Indicada para fístulas baixas. Envolve secção controlada de parte do esfíncter.
Ver detalhes → Preservação esfincterianaLIFT e retalho de avanço
Técnicas que preservam o esfíncter — LIFT (ligadura interesfincteriana) e retalho de avanço endorretal. Indicadas para fístulas altas e pacientes com risco de incontinência.
Ver detalhes → Etapa intermediáriaSedenho
Cordão de drenagem que controla a infecção e prepara para técnica definitiva. Pode ser mantido por semanas a meses.
Ver detalhes → Preservação esfincterianaLaser — FiLaC
Fibra laser radial que oblitera o trajeto fistuloso por ablação controlada, sem secção do esfíncter. Minimamente invasiva, indicada para fístulas transesfincterianas.
Ver detalhes → Preservação esfincterianaCélulas mesenquimais (Nanofat)
Injeção de células mesenquimais autólogas obtidas do tecido adiposo (nanofat), com ação regenerativa e imunomoduladora. Útil em fístulas complexas e refratárias, inclusive na doença de Crohn.
Ver detalhes →Perguntas frequentes
Toda fístula anal precisa de cirurgia?
Sim, na quase totalidade dos casos. A fístula é um trajeto patológico permanente que não cicatriza espontaneamente. Apenas algumas fístulas associadas à doença de Crohn podem ter tratamento clínico com biológicos em primeira linha.
Qual a diferença entre abscesso e fístula?
O abscesso é uma coleção aguda de pus, com dor intensa e necessidade de drenagem imediata. A fístula é o trajeto permanente que pode permanecer após a drenagem do abscesso. Cerca de 30-50% dos abscessos evoluem para fístula.
A cirurgia pode causar incontinência?
Sim, é um risco real, especialmente em técnicas que envolvem secção do esfíncter externo. A classificação anatômica orienta a escolha da técnica. Em pacientes com risco aumentado, prefere-se técnicas com preservação esfincteriana.
Fístula pode voltar?
Sim. As taxas de recidiva variam conforme técnica e complexidade. Fístulas simples têm baixa recidiva. Fístulas complexas, recidivadas ou em Crohn têm risco maior.
Onde me aprofundar?
Veja a página completa sobre cirurgia de fístula anal, com detalhamento de todas as técnicas.
Tópicos relacionados
Avaliação cuidadosa
Cada condição merece avaliação individualizada. Agende uma consulta para discutir seu caso.
Agendar pelo WhatsApp