Verruga anal por HPV: diagnóstico e tratamento em BH

A verruga anal, chamada tecnicamente de condiloma acuminado, é uma das manifestações mais comuns da infecção pelo HPV na região perianal e no canal anal. Costuma gerar dúvidas e constrangimento, mas é uma condição conhecida, que tem diagnóstico e opções de tratamento bem estabelecidos. Neste artigo, explicamos como reconhecer as lesões, como é a consulta e quais caminhos terapêuticos existem.

Dr. Matheus Massahud, coloproctologista, em seu consultório em Belo Horizonte

O que é a verruga anal e por que ela surge

O HPV (papilomavírus humano) é um grupo de mais de 200 tipos de vírus. Os tipos 6 e 11 causam a grande maioria dos condilomas e são classificados como de baixo risco oncogênico (Workowski et al., CDC, 2021). A transmissão ocorre principalmente por contato íntimo, inclusive sem penetração, e o vírus pode permanecer sem causar sintomas por meses ou anos. Por isso, nem sempre é possível saber quando ou com quem a infecção ocorreu.

Como são as verrugas anais e quais sintomas causam

As lesões variam de pequenas elevações cor de pele ou rosadas a placas que lembram uma “couve-flor”. Podem ser únicas ou múltiplas e aparecer ao redor do ânus, dentro do canal anal ou em regiões vizinhas. Alguns pacientes não sentem nada; outros relatam:

  • presença de “carocinhos” ou rugosidades perianais;
  • coceira ou sensação de irritação;
  • sangramento discreto ao higienizar ou evacuar;
  • umidade, desconforto ou dificuldade de higiene local.

Atenção: nem todo “carocinho” no ânus é condiloma. Hemorroidas externas, plicomas, molusco contagioso e outras lesões podem ser confundidos com verrugas. Para entender as principais causas de alterações anais, veja a página de condições.

Como é feito o diagnóstico

Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, a partir da inspeção da região perianal e do exame proctológico. Quando há suspeita de lesões dentro do canal anal, a anuscopia permite avaliar a extensão da doença. A biópsia é indicada quando a lesão é atípica, pigmentada, endurecida, ulcerada, não responde ao tratamento ou ocorre em pacientes com imunossupressão (Workowski et al., CDC, 2021).

Isso é importante porque alguns tipos de HPV, como o 16 e o 18, estão relacionados a lesões pré-malignas e ao câncer de canal anal. Esses tipos geralmente não causam as verrugas clássicas, mas a avaliação especializada ajuda a distinguir lesões benignas de alterações que exigem investigação adicional. Pessoas com maior risco de lesões anais associadas ao HPV, como as que vivem com HIV ou com outras formas de imunossupressão, podem se beneficiar de acompanhamento periódico, definido de forma individual. Em pessoas vivendo com HIV, tratar as lesões precursoras de alto grau reduziu o risco de câncer anal em mais da metade em um grande estudo clínico (Palefsky et al., NEJM, 2022).

Opções de tratamento

Não existe uma única abordagem. A escolha depende do número, do tamanho e da localização das lesões, da presença de doença dentro do canal anal, de condições como gestação ou imunossupressão e da preferência do paciente após esclarecimento. Em linhas gerais:

Tratamentos tópicos

Incluem cremes ou soluções aplicados pelo próprio paciente, que estimulam a defesa local ou destroem a lesão, e substâncias aplicadas pelo médico em consultório (Workowski et al., CDC, 2021). São indicados em lesões pequenas e externas, exigem uso correto e acompanhamento, pois podem causar irritação local.

Destruição local das lesões

Crioterapia (nitrogênio líquido), eletrocauterização e laser de CO2 removem as lesões por destruição térmica, geralmente com anestesia local ou sedação, conforme a extensão (Workowski et al., CDC, 2021). O laser de CO2 é uma das tecnologias disponíveis e sua indicação, como a de qualquer método, depende da avaliação individual.

Excisão cirúrgica

Indicada em lesões volumosas, extensas ou que necessitam de análise anatomopatológica. Em doença mais extensa, pode ser feita em ambiente cirúrgico, com preservação do esfíncter e do tecido sadio.

Recidiva, parceiros e prevenção

Mesmo após a remoção completa das lesões visíveis, o vírus pode permanecer no organismo, e novas verrugas podem surgir nos meses seguintes — a recidiva é frequente com qualquer tratamento (Workowski et al., CDC, 2021). Por isso, o seguimento clínico faz parte do tratamento, e é preciso evitar expectativas de resolução definitiva. O sistema imune tem papel importante no controle da infecção.

Profissional de saúde aplicando vacina no braço de uma paciente
  • Preservativo reduz, mas não elimina o risco de transmissão, pois o vírus pode estar em áreas não protegidas.
  • A vacina contra o HPV previne infecções pelos tipos incluídos, mas não trata lesões já existentes. Verifique indicação e idade no calendário vigente do Ministério da Saúde e converse com seu médico (Ministério da Saúde, Calendário Nacional de Vacinação).
  • Parceiros sexuais podem ser avaliados; a conduta é individualizada.
  • Não utilize produtos caseiros ou medicamentos sem orientação: podem causar queimaduras e dificultar o diagnóstico.

Quando procurar um coloproctologista

Procure avaliação se notar qualquer lesão nova na região anal, coceira persistente, sangramento, lesão que cresce ou muda de aspecto, ou se houve tratamento prévio com recidiva. Quanto mais clara a avaliação inicial, mais adequado tende a ser o plano terapêutico.

Perguntas frequentes

Verruga anal é sempre HPV?

O condiloma acuminado é causado pelo HPV. Mas outras lesões anais, como plicomas e hemorroidas externas, podem se parecer com verrugas. O exame clínico é que distingue.

Verruga anal pode virar câncer?

Os tipos de HPV mais comuns nos condilomas (6 e 11) são de baixo risco. Contudo, pode haver infecção por mais de um tipo, e lesões atípicas ou persistentes devem ser avaliadas, às vezes com biópsia.

Existe tratamento para verruga anal?

Sim. Há opções tópicas, destruição local das lesões e excisão cirúrgica. A escolha é individualizada. Como o vírus pode persistir, novas lesões podem aparecer e o acompanhamento é recomendado.

Tenho verrugas e estou grávida. O que fazer?

Algumas substâncias tópicas não são indicadas na gestação. Procure avaliação para que o método seja escolhido com segurança, em conjunto com o obstetra.

Verruga anal some sozinha?

Pode regredir sem tratamento, mas também pode ficar igual ou crescer, e não há como prever (Workowski et al., CDC, 2021). Como outras lesões podem se parecer com verruga, o mais seguro é avaliar antes de decidir esperar.

Agende sua avaliação

Se você percebeu alterações na região anal, a consulta com um coloproctologista permite esclarecer o diagnóstico e discutir o plano mais adequado ao seu caso, com sigilo e sem constrangimento. Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual.

Revisado por Dr. Matheus Duarte Massahud (CRM-MG 64.970 · RQE 44.212) em 16/10/2026.

Fontes:
  • Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187.
  • Palefsky JM, Lee JY, Jay N, et al. Treatment of Anal High-Grade Squamous Intraepithelial Lesions to Prevent Anal Cancer. N Engl J Med. 2022;386(24):2273-2282.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação — vacina HPV.
Dr. Matheus Massahud trabalhando no computador em seu consultório

Dr. Matheus Duarte Massahud

Coloproctologista · CRMMG 64970 · RQE 44212

Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, preceptor da Residência Médica de Coloproctologia da Santa Casa de Belo Horizonte, membro do corpo clínico do Hospital Madre Teresa e da Rede Mater Dei de Saúde. Atua com cirurgia robótica, colonoscopia e tratamentos minimamente invasivos.

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